Minicom detalha metas de cobertura do Banda Larga Para Todos

31/08/2015

O governo detalhou pela primeira vez minúcias do estudo técnico realizado pelo Ministério das Comunicações no programa Banda Larga Para Todos, como as metas de cobertura de acordo com a densidade de habitantes. Para municípios com menos de 100 mil habitantes, a cobertura seria de 40% em 2016, aumentando para 60% em 2018. De 50 mil a 100 mil habitantes, cobertura seria de 25% e 40% nesse mesmo período. E para cidades com entre 30 mil e 50 mil habitantes, a meta iria de 20% a 30% nesses dois anos. Essas metas consideram não apenas as capitais, mas também as regiões metropolitanas - segundo levantamento feito pelo Minicom, são áreas também pouco servidas no acesso.

Apesar de ressaltar que se tratam de estudos prévios e de um "protoprograma", ou seja, um trabalho aindaem desenvolvimento, o diretor de banda larga do Ministério, Artur Coimbra, reafirmou as expectativas gerais do governo, incluindo a intenção de lançar o Banda Larga Para Todos até o final do ano.

Nas grandes cidades com mais de100 mil habitantes, considerando suas regiões metropolitanas, a ideia é chegar a 45% dos domicílios com FTTx - taxa que atualmente é de 10%. Coimbra explica que pode ser rede híbrida, com cobre em VDSL, por exemplo, ou com fibra até a residência (FTTH) onde possível. Para 1.284 pequenas cidades com menos de 100 mil habitantes, o mecanismo de financiamento será para pequenos provedores, dando operações de crédito com condições especiais de garantia, a criação deum fundo garantidor, cujo decreto para sua criação sairá também até o final do ano. "O governo não vai dar dinheiro, só precisará de financiamento", disse.

Detalhes nos custos

A ampliação da rede em fibra leva em consideração no Capex a erosão de 5% anual no preço dos equipamentos e R$ 4 mil por porta GPON, por exemplo, masnãoconsiderou a construção denovas centrais.O custo por home-passed foi estipuladoem R$250 para áreas densas eR$ 700 em áreas muito esparsas. Considera até 25% dos domicílios em condomínios verticais para áreas densas, custo de R$ 5 mil por cabeamento vertical em edifícios e R$ 5 por home passed de Opex para manutenção da fibra.

O Opex seria 10% ao ano sobre o Capex para manutenção, operação e depreciação de equipamentos. Os custos de expansão da rede de "forma orgânica" seriam em média de R$65 mil por quilômetro de fibra implantada em municípios fora da região Norte e deR$ 120 mil/km na região Norte. Estima o aluguel de 600 postes por km² a um custo deR$ 2,44/mês/poste.O índice de reparo no acesso de VDSL é de 2,5% mensal, enquanto no GPON é 1% mensal. Como trata de redes convergentes e de provedores com outorga do serviço de acesso condicionado (SeAC), estipula custo de conteúdo de 50% da receita média por usuário (ARPU) de TV.

Velocidade

Artur Coimbra reafirmou alguns dos pressupostos já apresentados.A velocidade média evoluirá cinco vezes, saindo de 5,5 Mbps para 25 Mbps. Já os acessos em banda larga saiam de 140 milhões para 300 milhões. A meta mantém o objetivo de 90% dos municípios com transporte ótico (atualmente, essa proporção é de 47%), o que Coimbra considera o mais desafiador. O estudo técnico leva em consideração alguns aspectos demográficos para reduzir a desigualdade com o programa. Segundo o Minicom, atualmente a velocidade está mais concentrada em São Paulo e algumas cidades mais ricas: 80% dos acessos estão em 4% dos municípios. Levando em conta acesso de 12 Mbps ou mais, essa velocidade só está presente em 1% dos municípios. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira, 31, durante o 59º Painel Telebrasil 2015,em Brasília.

Fonte: Teletime