Consolidação é inevitável no mundo da internet e das telecomunicações

10/10/2017

Com a receita de serviços tradicionais em queda e a valorização constante das empresas de internet, as prestadoras de telecomunicações vêm perdendo valor de mercado, o que requer uma reorganização do ecossistema. O diagnóstico foi feito pelo superintendente de Competição da Anatel, Abraão Balbino, durante a sessão temática Mídia, Conteúdo e Telecom: consolidação inevitável. O executivo da agência reguladora sugeriu medidas para reverter o cenário, entre elas, a consolidação horizontal do mercado, para ganhar escala e reduzir a pressão competitiva.

Outra alternativa para deter a perda de valor pode ser a verticalização da cadeia, juntando infraestrutura e conteúdo. Porém, Balbino admitiu que não há garantias de que esses arranjos vão funcionar. "Esse caminho terá que ser encontrado pelas empresas, mas não é um jogo de apenas uma alternativa". O representante da AT&T e DirecTV, Michael Hartmann, ressaltou que a revolução de hoje [a verticalização] não é nova, foi observada na transição do rádio para TV e na da TV aberta para a fechada, porém implica riscos para as empresas de telecom e as programadoras. No entanto, os consumidores já estão ganhando com esse movimento.

Para Hartmann, ainda não se sabe como regular, não há uma receita para isso. Ele citou o caso da Netflix, que começou como distribuidora de conteúdo físico, passou para entrega de conteúdo digitalmente e, agora, gasta US$ 6 bilhões anuais em conteúdos próprios, verticalizando cadeias de valor. "Todas essas tendências são benéficas para o consumidor, e o desafio é encontrar saídas para a regulação", sustentou.

A representante da Ancine, Luana Rufino, afirmou que, mesmo em queda desde 2014, o mercado nacional de TV por assinatura continua sendo um dos maiores do mundo, não só pelo volume, mas também pelo faturamento. Porém, adverte que no Brasil há entraves à concentração, como estabelecido nos artigos 5º e 6º da Lei de Serviço de Acesso Condicionado (SeAC). Luana acredita que o desafio é fazer uma regulação que traga impactos positivos a um modelo de negócio futuro.

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