TELEBRASIL presente à 1ª Conferência Estadual de Comunicação do Estado do Rio de Janeiro – III
22/12/2009 11:12 :: João Carlos Fonseca
A Conferência Estadual de Comunicação do Estado do Rio de Janeiro (Conecom-RJ) teve seus trabalhos efetuados, de 30 de outubro a primeiro de novembro últimos, no campus da Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Veja aqui um resumo do dia de encerramento da Conecom-RJ, marcado pelas manifestações do dever cumprido pelos participantes do Rio de Janeiro.
Revendo em retrospectiva a Concecom-RJ, o dia 30 (sexta-feira) foi o da abertura oficial do evento e de credenciamentos dos delegados. O dia seguinte (sábado) foi o da discussão e aprovação do regimento interno da Conecom-RJ e da apresentação das propostas nos três grupos de trabalho temáticos da conferência.
O segundo dia foi também o das apresentações de Marcos Dantas, Cesar Rômulo Silveira Neto e de Marcelo Bechara que enfatizaram os ventos da mudança que sopra sobre a comunicação. Já o último dia da Conecom-RJ (domingo) teve a parte da manhã dedicada à importante tarefa da escolha dos delegados e suplentes que irão representar o Estado do Rio de Janeiro à 1ª Confecom, em Brasília (DF). Na sessão da tarde, o plenário se reuniu pela última vez para apresentação dos delegados eleitos, para relatos sobre os grupos de trabalho e para entrega de moções.
A cimeira da Conferência Nacional de Comunicações acontecerá no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF), com abertura no dia 14 de dezembro e trabalhos nos dias 15, 16 e 17 sobre o tema: "Comunicação: meios para construção de direitos e de cidadania na era digital". Prevista a presença do presidente da República na abertura da 1ª Confecom.
Escolha dos delegados
Pelo Anexo III da Resolução nº 8, de outubro de 2009, da Comissão Organizadora Nacional, a cota do Rio de Janeiro foi fixada em 126 delegados. Eles foram repartidos na proporção acordada de 40:40:20, entre os três segmentos. Isto resultou em 56 delegados para o segmento da sociedade civil, 56 para a sociedade civil empresarial e 14 para o poder público.
A escolha dos delegados foi feita por consenso, dentro de cada segmento. O segmento da sociedade empresarial foi o que mais rapidamente teve a sua lista de 56 delegados pronta. O segmento do poder público se reuniu no espaço da concha acústica da Uerj e depois de bastante conversações elegeu seus 14 delegados.
O segmento da sociedade civil organizada, com atuação de diversas forças políticas representando blocos de poder, teve uma disputa bastante acirrada e democrática. Acabou elegendo seus 56 delegados, representativos de um amplo espectro de entidades e interesses, que foram muito aplaudidos por toda a plateia na plenária que se seguiu à tarde.
Sessão plenária
Compuseram a mesa da última sessão plenária: Edgar Arruda, presidente da Comissão Organizadora da Conecom-RJ, que conduziu os trabalhos; Marcelo Bechara, do Ministério das Comunicações; Cesar Rômulo Silveira Neto, da TELEBRASIL; Daruiz Paranhos, da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra); Marcos de Oliveira, da Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM); e Octavio Penna Pieranti, do Ministério da Cultura.
A mesa se completou com Rosane Bertotti, da Central Única dos Trabalhadores (CUT); Roselli Goffman, do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC); e Fátima Fernandez, do Clube de Engenharia.
A sessão plenária se iniciou com a leitura nominal e por segmento dos delegados eleitos para representar o Rio de Janeiro na Confecom, em Brasília. Todos foram muito aplaudidos.
Apresentação dos grupos de trabalho
A apresentação dos grupos de trabalho foi efetuada pelos respectivos coordenadores. As propostas desses grupos, sistematizadas por eixos temáticos, serão encaminhadas para a 1ª Confecom.
O grupo I, referente à produção de conteúdo, foi relatado por Aline Coralina, da Secretaria Estadual de Cultura. Foram feitas propostas sobre conteúdo nacional, produção independente e regional, garantia de distribuição, incentivos, tributação e financiamento de conteúdo, fiscalização, propriedade das entidades produtoras de conteúdo, propriedade intelectual do conteúdo e aspectos da competição, marco legal e regulatório.
O grupo II, sobre meios de distribuição, foi relatado por Israel Pini. Foram feitas propostas sobre banda larga – a TELEBRASIL propôs um plano nacional de banda larga –, televisão aberta e por assinatura, multiprogramação, televisão e rádio comunitárias, Internet, sistema público, privado e estatal, tributação e financiamento, outorgas e competição, órgãos reguladores, propriedade das distribuidoras de conteúdo, administração do espectro, normas e padrões.
O grupo III, relativo a cidadania: direitos e deveres, foi relatado por Orlando Guillon M. Correia e Castro, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) e da Associação das Rádios Públicas do Brasil. Vinte propostas foram adicionadas ao "caderno de propostas", distribuído ao início da conferência. O grupo teve 87 participantes. Dentre as propostas, a participação da sociedade nos meios de comunicação, a implantação de conselhos de comunicação, a realização regular de Confecoms, o estabelecimento de um fundo de comunicação comunitária e muitas propostas relativas ao conteúdo da mídia discriminando gênero, religião e opção sexual.
Moções foram apresentadas pelo segmento da sociedade civil organizada em plenário. Foram aceitas aquelas que tivessem colhido um número mínimo e regimental de assinaturas. A apresentação das moções e sua aprovação foi um dos momentos de maior vitalidade no plenário. Algumas moções foram de apoio – para uma TV comunitária em Niterói e São Gonçalo – e outras de repúdio, como contra a mídia que "ajuda a controlar a pobreza".
Encerramento
Ao final do evento, a mesa se manifestou congratulando todos os participantes pela realização da 1ª Conferência Estadual de Comunicação do Estado do Rio de Janeiro. "Parabéns ao Rio de Janeiro e aos três segmentos", disse Marcos de Oliveira. Pelo segmento empresarial, o empresário Daruiz Paranhos observou que "temos muitos mais pontos de convergência do que divergência".
Roseli Goffman destacou a presença da mulher na conferência e ressaltou ser importante "ouvir o outro" para aprender. Rosane Bertotti considerou a conferência vitoriosa para a democratização da comunicação. Fátima
Fernandez resumiu que "cumprimos a nossa tarefa e soubemos conviver com as diferenças".
O presidente da Comissão Organizadora Nacional da Confecom e consultor jurídico do Ministério das Comunicação, Marcelo Bechara, agradeceu em nome do Governo Federal, a realização "desse evento fundamental". O coordenador Edgar Arruda, ao encerrar a conferência, prognosticou que "a Conecom-RJ vai entrar para a história como um marco na modernização da comunicação do País".
Terminado o evento, reuniram-se os participantes no saguão do espaço Odylo Costa Filho e organizaram espontaneamente um forró, com todos dançando e cantando animadamente, ao som de um atabaque e de um triângulo que surgiram não se sabe bem de onde. O desenrolar da Conecom-RJ foi um prenúncio do que poderá acontecer na 1ª Conferência Nacional da Comunicação, em Brasília (DF).