Algar Telecom promove evento em iate, no Rio de Janeiro, com visão otimista de Maílson da Nóbrega sobre o Brasil
11/11/2009 11:15 :: João Carlos Fonseca
Circuito do Conhecimento é o evento de relacionamento da Algar Telecom. Em 29 de outubro último, a prestadora reuniu mais de uma centena de clientes e amigos a bordo do navio de turismo náutico "Pink Fleet", ancorado na Marina da Glória (RJ), com direito a coquetel e palestra do economista Maílson da Nóbrega sobre "Perspectivas da Economia Brasileira". Veja aqui um resumo do evento.
A Algar Telecom é uma Associada TELEBRASIL.
Promovido semestralmente, o Círculo do Conhecimento tem foco em São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Ribeirão Preto, Curitiba, Brasília, Goiânia e Belo Horizonte, cidades em que a Algar Telecom se expande. A empresa também marca presença em Uberlândia – onde fica a sede da Algar –, Uberaba, Franca, Pará de Minas, Pato de Minas, Ituiutaba e Itumbiara.
A hospitalidade mineira, a bordo do Pink, correu por conta dos hosts Luiz Alberto Garcia, presidente do Conselho de Administração do Grupo Algar; Divino Sebastião de Souza, presidente da Algar Telecom; e dos diretores Luiz Lima (tecnologia), Amilton Reis (marketing) e Augusto Salomão (regional Rio), além do staff. As variações do tempo, ora chuvoso, ora com a Lua aparecendo, não chegou a atrapalhar a festa da Algar.
Com um "não existe sucesso sem relacionamento com o cliente. A CTBC, ao longo de seus 55 anos, nunca teve fila para entregar uma linha. Este é nosso DNA", abriu o evento o presidente Divino de Souza, há 32 anos na empresa. A marca Algar – do fundador Alexandrino Garcia – passou a denominar todas as empresas do grupo, que tem um faturamento da ordem de R$ 3 bilhões.
O grupo atua em tecnologia da informação e telecomunicações, seu carro-chefe com 1,3 milhão de clientes; agronegócio, com muita soja para exportação; serviços como táxi aéreo, gráfica, jornal; tecnologia com BPO (business process outsourcing) e ITO (information technology outsourcing); e turismo, explorando o resort termal do Rio Quente, em Caldas Novas (GO).
CTBC e Algar Telecom:
Marca com mais de 50 anos
A marca CTBC, com mais de 50 anos de existência, continua ativa em 2009, na sua área de concessão que cobre o interior de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul. A Algar Telecom – nome consolidado da marca CTBC dentro do grupo Algar – está presente em capitais como São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Curitiba e em outras grandes cidades.
A CTBC/Algar Telecom presta serviços de telefonia fixa, celular, Internet banda larga, comunicação de dados, data center, TV a cabo e se identifica pelo código 12 para comunicação de longa distância nacional e internacional. A CTBC opera em 304 localidades na sua área de concessão. Fora dela, expandiu-se rumo a São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, São José do Rio Preto e Curitiba, possuindo 8,7 mil km de fibras ópticas.
No Rio de Janeiro, desde de 2006, a Algar Telecom hoje tem 500 clientes corporativos, servidos por 144 km de rede óptica, que vai de Niterói (RJ) à Barra da Tijuca, onde vão acontecer parte dos Jogos Olímpicos de 2016. A Algar Telecom ainda está presente em Nova Friburgo, Volta Redonda e em outras localidades da região fluminense.
A Algar não é estranha ao Rio de Janeiro. Como ATL, ela já operou a telefônica celular na Banda B, onde pioneiramente lançou o sistema pré-pago. Em meados dos anos 80 e com a denominação ABC – Teleinformática fabricou em Jacarepaguá (RJ), em parceria com a Telettra italiana, equipamentos eletrônicos para o antigo Sistema Telebrás.
A CTBC preza o reconhecimento público. Obteve a nota máxima no ranking da Agência Nacional de Telecomunicações nas modalidades celular, telefonia fixa e longa distância. A Algar preza a tradição. Foi mostrado um vídeo com o fundador Alexandrino Garcia, pai de Luiz Alberto e avô de Luiz Alexandre, atual CEO (chief executive) do grupo. A Algar preza os seus valores: transparência, simplicidade e sustentabilidade, forjando o talento humano. "O Brasil em primeiro lugar", pregou o vídeo.
Maílson da Nóbrega – I
Pior da crise já passou
O palestrante foi ex-ministro da Fazenda (1989 a 1990) no Governo de José Sarney. Ex-funcionário do Banco do Brasil, teve passagem por diversos ministérios. Presidiu o Confaz – Conselho Nacional de Política Fazendária. Ocupou cargos no Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Interamericano do Desenvolvimento (Bird). É autor de "O Futuro Chegou" e de outras obras. Hoje, é sócio da Tendências Consultoria Integrada, com sede em São Paulo. A seguir, um resumo de sua palestra.
A crise no mundo já passou. O colapso financeiro sistêmico e do crédito não aconteceu. A explosão demográfica prevista por Malthus, no século XVIII, e que derrubaria qualquer índice de renda per capita, também não ocorreu. O risco da contração do crédito, com contração da atividade econômica, já ficou para trás. Em comparação, na depressão dos anos 30, 11 mil bancos quebraram nos EUA e houve crise do comércio externo.
Ben Bernanke, atual presidente do Federal Reserve (o Banco Central americano), quer combater a deflação dos preços. Com deflação, o consumidor adia as compras e a produção cai. A economia dos EUA contraiu 2 a 3% em 2009 e vai levar de 20 a 24 meses para se recuperar. Economistas discutem se a recuperação será rápida (em "V"), progressiva (em "U") ou inexistente (em "L").
Frente à crise econômica mundial, o Brasil reagiu com recessão relativamente curta. O sistema financeiro brasileiro demonstrou solidez. O Proer – Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Bancário – contribuiu para evitar o colapso do sistema financeiro.
Maílson da Nóbrega – II
PIB para 2010 além de 4,8%
As projeção da macroeconomia passam a ser as seguintes em 2009 e 2010: PIB, 0,0 - 4,8; inflação pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), 4,2 - 4,2; juros, 8,75 - 10,0; câmbio R$/US$, 1,65 - 1,75; balança comercial em US$ bilhões, 24,9 - 25,0; conta corrente em US$ bilhões, 15,6 - 22,6.
Os pilares da estabilidade macroeconômica do Brasil são o câmbio flutuante, a autonomia do Banco Central, a manutenção do superávit primário e o controle da inflação. O câmbio fixo, em tempos de crise, acaba com as reservas do País. O superávit primário representa a economia que o Governo faz para pagar os juros da dívida pública.
Dívida de Governo é coisa antiga no Brasil. Em 1825, três anos após a independência, Brasil e Portugal se reuniram em Londres (Reino Unido) e tiveram que assumir as dívidas do Império para com a Inglaterra.
Quanto à inflação, o presidente Lula tem instinto político. Sabe que os efeitos negativos da inflação – o descontrole dos preços relativos – recai nas classes mais pobre da população. Se sofrer com a inflação, vota contra o Governo, que a causou. O mercado sabe “precificar” e o eleitor, avaliar. Vigiar a relação entre a estabilidade econômica e a ação do Banco Central, sobre a taxa de juros, será importante tarefa para o presidente Lula.
Dentre as tendências até o final do Governo Lula, a economia se recupera até 2010 e a taxa de câmbio se valoriza. O Brasil agora é a bola da vez internacional. É visto como um risco menor. Os investimentos estão chegando ao País e, neste quesito, nós só perdemos para China. O Brasil atingiu o grau de investimento das empresas avaliadoras de risco. Com isso, os fundos de pensão norte-americanos estão liberados para investir por aqui.
O dólar continuará se desvalorizando e esta é uma tendência para os próximos anos. Para exportar é ruim, nosso produto fica caro lá fora, mas esta é a realidade. A taxa Selic (sistema especial de liquidação e de custódia) deve fica estável. Poderá aumentar no segundo semestre de 2010, em época eleitoral. O crédito vai se normalizar para pessoa física.
Maílson da Nóbrega – III
Poder supremo não é mais do rei
O Brasil pode ser comparado a um edifício com tijolinhos, sendo adicionados por sucessivos governos. Uma das grandes contribuição do presidente Lula foi não ter mexido na política econômica e sim ter convidado um banqueiro para tomar conta do Banco Central (risos).
A história pode ensinar. A revolução Gloriosa, ocorrida na Inglaterra no século XVII, resultou no Bill of Rigths, assinado em 1869 e visto como o fim do absolutismo real. O poder supremo não era mais do rei; ele perdia o poder de confiscar e julgar; podendo ainda ser auditado. Em 1694, criou-se o Banco da Inglaterra, uma pedra angular na história do capitalismo e do comércio internacional.
O Brasil estaria vivendo a sua revolução gloriosa. O poder máximo não pode mais fazer tudo que quer. Ainda que ocorram nepotismo e corrupção, existe uma democracia e um poder judiciário independente. O Brasil tem uma imprensa livre, independente e investigativa, além de instituições econômicas fortes. Há coisas a serem aperfeiçoadas. É preciso acontecer uma reforma política. O Banco Central precisa ter autonomia. O ganhador do prêmio Nobel Douglas North escreveu que instituições são as regras do jogo.
Sobre o aspecto político, são positivamente importantes: manter ininterrupta a construção institucional do País e não haver tentativa para que haja um terceiro mandato. O Brasil vem de atingir a quarta eleição com as mesmas regras do jogo, dois turnos, quatro anos cada e direito à reeleição.
A longo prazo, vamos caminhar para ser um país rico. Vai haver a convivência entre o novo, ao saber assumir riscos; e o velho, com uma versão mais antiga do Brasil. Os trilhos da ferrovia já indicam o caminho e o trem não vai descarrilar mais. A interrogação que permanece é qual a velocidade que deve ter a locomotiva?
Pink Fleet
Por que frota rosa?
O iate Pink Fleet – um mininavio de lazer – é dedicado ao turismo náutico e eventos. É ligado ao grupo EBX, do milionário Eike Batista, conhecido, dentre outras ações, pela sua aquisição do tradicional Hotel Glória – hoje Glória Palace –, onde ficará a sede do grupo, além da hotelaria. O Glória Palace fica fronteiriço à Marina da Glória, onde se ancora o Pink Fleet, tudo muito conveniente para o Mundial de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016, com sede no Rio.
O Pink Fleet – "frota rosa" – relembra a cor branca da embarcação iluminada ao sol poente – foi reformado há dois anos no centenário estaleiro alemão Lürssen Yatchs. O Pink possui quatro conveses, seis ambientes, 54 metros de comprimento e pode transportar até 450 passageiros e 50 tripulantes. Desenvolve nove nós e tem a classificação "águas abrigadas", como é o caso da Baía da Guanabara.
Empresas como Coca-Cola, TIM, Vivo, Nokia, Claro, Ericsson e agora Algar já fizeram eventos no Pink Fleet.